1 de set de 2013

Plus size na semana de moda de Nova York


Cabiria, marca plus size que estreia no calendário de moda internacional. (Divulgação)


Dia de gravação do quadro “Tapa no Visual”. Entro numa loja e a vendedora dispara: “que pena, só trabalhamos com manequins até 42″. Partimos para outra. Nessa, a solícita equipe garante: “nossa modelagem 44 corresponde ao 46, pode provar”. Nossa participante entra no provador. Equipe monta luz, todo mundo a postos. Em poucos minutos percebemos que não, não corresponde ao 46. Indicam uma nova loja no shopping — que sim, tem roupas acima de 46, mas nada que possa favorecer uma jovem de vinte e poucos anos. Nesse dia senti na pele o constrangimento de quem é jovem, gordinha e sofre para encontrar o que vestir.

Impulsionados pelos números – aqui no Brasil 48% das mulheres estão acima do peso segundo a última pesquisa do IBGE –, e descobrindo o potencial de se trabalhar com numerações maiores, afinal, só aqui no país o segmento plus size já movimenta mais de 4 bilhões de reais por ano, o mercado de moda parece que, felizmente, não vai deixar mais as gordinhas às margens, não...

Prova disso é que pela primeira vez uma marca de moda plus size vai desfilar numa semana de moda internacional: a Cabiria, marca da estilista Eden Miller, mostra suas peças cheias de personalidade na semana de moda de Nova York, uma das mais importantes do mundo, que começa nessa próxima semana, dia 4 de setembro.

O fato pode parecer corriqueiro, mas não é. Desde que os primeiros desfiles foram criados, no final do século XIX para que os costureiros apresentassem suas criações às clientes, até hoje, época em que os desfiles viraram espetáculo com repercussão internacional, a estética da passarela sempre foi magérrima. E as grifes que se apresentavam, as mais renomadas, permaneciam mais fazendo roupas para se ver do que para vestir -- não só pela questão do custo mas também pela numeração, restrita.

Ano passado, a Elle francesa estampou em sua capa uma modelo plus size, Tara Lynn, acompanhada da legenda “The Body”, em inglês, “o corpo”. Será que vamos entrar numa era da valorização das formas generosas em contrapartida a magreza que imperou até agora?

Não creio que teremos uma mudança de padrão às avessas, ou seja, que daqui para frente “o corpo” será mais cheinho. Acredito sim na democratização da beleza, na valorização de diferentes biótipos. Verdade seja dita: tem gente que, por mais que se esforce, nunca vai ser magra. Não faz parte de sua natureza. Assim como tem pessoas com 1,80m e 50 kg que são saudáveis, pois esse é o seu biótipo.

Moda é comportamento e uma quebra de paradigma nas passarelas de NY pode repercutir muito além da mídia: pode ajudar a milhares de mulheres, mundo afora, que se esforçam para se enquadrar num padrão de beleza a se sentirem bem dentro de suas próprias peles. Afinal, a beleza, como a moda, não deve ter tamanho único.
Looks Cabiria (Divulgação)Fonte: Yahoo

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